Os dados do 1º Boletim de Feminicídio divulgados nesta terça-feira (31) pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí apontam que a maioria das vítimas de feminicídio no estado, em 2025, era de mulheres negras.
De acordo com o levantamento, das 37 vítimas registradas, 29 eram pardas (78,4%), três pretas (8,1%) e cinco brancas (14%). Ao considerar conjuntamente mulheres pardas e pretas, o total chega a 32 vítimas, o equivalente a 86% dos casos.
Os números evidenciam uma maior vulnerabilidade de mulheres negras à violência letal no Piauí, reforçando um padrão já observado em outros levantamentos nacionais.
Diferença nos instrumentos utilizados
O boletim também analisou os instrumentos utilizados nos crimes e identificou variações conforme o perfil das vítimas.
Entre as mulheres brancas, a arma branca foi o meio mais utilizado, presente em três ocorrências (60%). Em seguida, aparecem os casos com arma de fogo, que somam dois registros (40%).
Já entre as vítimas negras, os crimes apresentaram maior diversidade de meios utilizados. Os dados indicam:
- arma branca: 11 casos (34,38%);
- outros instrumentos: 12 casos (37,50%);
- arma de fogo: 5 casos (15,63%);
- envenenamento: 4 casos (12,50%).
Cenário de vulnerabilidade
A predominância de vítimas negras nos casos de feminicídio reforça o debate sobre desigualdades estruturais e o impacto da violência de gênero sobre mulheres em contextos de maior vulnerabilidade social.
Os dados do boletim devem servir de base para o direcionamento de políticas públicas voltadas à prevenção da violência e à proteção de mulheres em situação de risco no estado.